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quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Coisas que os intercambistas têm que ouvir

__Às vezes me perguntam por e-mail se os americanos são rudes com os estrangeiros. A resposta é não, muito pelo contrário. É verdade que durante meu período de trabalho nos EUA eu engoli certos desaforos, mas nada que não aconteceria comigo aqui no Brasil mesmo.
__Abaixo, alguns dos sapos engolidos por mim e meus colegas:

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__Eu estava trabalhando na recepção do Huntley Lodge, hotel que fica na estação de esqui que mais emprega intercambistas na região, o Big Sky Resort, quando uma hóspede apareceu louca da vida:
__-Eu tentei trocar esses ingressos do Moonlight Basin na bilheteria daqui, mas eles não me deixaram, e eu não consigo fazer essa troca em nenhum lugar.
__-Desculpe, senhora. Eu também não posso fazer essa troca. O Moonlight é outro resort. Embora os dois resorts sejam ligados, a gente só pode manipular os ingressos do Big Sky.
__-Não me diga que você não pode. Eu sei que você pode, mas a verdade é que você não quer.

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__Minha colega brasileira Priscilla trabalhava comigo na recepção do Huntley Lodge quando uma senhora chegou enrolada numa toalha e lhe disse:
__-Eu não encontro uma porcaria de toalha naquela piscina. E ela está gelada!
__-Perdão, mam. Eu vou mandar umas toalhas agora mesmo e vou pedir para a manutenção checar a piscina...
__A senhora gritou:
__-Quem falou em piscina? Eu disse Hot Tub! Por que você não manda alguém para arrumá-la de uma vez?

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__De tempos em tempos, os funcionários do Huntley Lodge tinham acesso a um conjunto de reclamações e elogios feitos por escrito pelos hóspedes. Consultando esse relatório, tínhamos uma noção do que poderíamos melhorar no nosso trabalho. Certa vez, lemos a seguinte queixa feita por uma visitante:
__"Na próxima vez que eu visitar o resort, eu gostaria de ser atendida por alguém que fala inglês. Não tenho nada contra estrangeiros. Mas, na próxima vez, eu gostaria de ser atendida por um americano".
__Essa visitante provavelmente foi atendida por um intercambista que teve alguma dificuldade na hora de falar inglês. Acho que essa situação não se repetiria no nosso país, pois é difícil imaginar um americano tendo que trabalhar no Brasil e apanhar do português para conseguir pagar pelo seu programa de intercâmbio. Mas todos nós sabemos que o nosso povo sabe ser hostil e desonesto com os visitantes estrangeiros e que comentários preconceituosos contra vários países rodam por aí como fofoca, sendo que muitos desses comentários costumam sair da boca do próprio Presidente da República.
__Também é importante lembrar de uma prática irritante dos estrangeiros que trabalham nos EUA: quando eles não entendem o que um cliente americano pergunta, eles ficam sorrindo, fingindo que entenderam o que foi dito. Eu fiz isso no hotel onde trabalhava até levar uma bronca do meu chefe. Recomendo aos intercambistas que não tentem enrolar os clientes com sorrisos. Caso não entendam alguma palavra, peçam que o cliente a repita. Se ele usar expressões que o intercambista não conhece e sabe que não vai entender, é bom chamar alguém que domine melhor a língua para ajudar.
__Os americanos conhecem muito bem e odeiam essa tática de ficar sorrindo e fingindo que entendeu.

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__O Huntley Lodge recebia os hóspedes às 4 horas da tarde. Às 10 da manhã, esses hóspedes deveriam deixar o hotel ou pagar uma nova diária. Embora todos eles fossem informados dessa regra várias vezes, muitos gostavam de ficar enrolando no quarto e acabar saindo depois da 1 da tarde. Por isso eu deveria telefonar para os quartos dos enrolões todas as manhãs e informar mais uma vez sobre o horário de saída.
__Certa manhã, liguei para o quarto de uma hóspede atrasada para lembrá-la da regra. Eram aproximadamente 11:30.
__-Alô?
__-Bom dia, mam. O horário de saída é 10 da manhã, então eu estou ligando para saber quando vocês pretendem sair ou se vocês pretendem extender a reserva.
__-Ah, sim. Eu vou sair às 2 da tarde hoje, mas não vou extender a reserva.
__-Entendo. Bem, na verdade, como o horário de saída é 10 horas, a senhora precisa falar diretamente com a gerente do hotel para pedir esse horário especial...
__-Não, não, não. Você não está entendendo. Eu não vou pedir nada. Eu só estou deixando você saber que eu vou sair mais tarde.
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terça-feira, 4 de setembro de 2007

Entrevista por Telefone

Quando fiz minha entrevista eu tive que ligar lá pra estação de ski e falar com a dona.
A primeira vez que liguei a secretária atendeu e disse que ia procurá-la por que ela não estava na sala. Detalhe: Eu só estava pagando R$1,00/min a ligação. Mesmo assim ela não foi encontrada.

Eu pensei em agendar outro dia e tal... Mas ia demorar muito! Acabei ligando uns 15min depois e consegui encontrar ela. Só que o detalhe desta vez é que minha mãe já tinha chegado em casa. Uma barulheira de panela na cozinha, um monte de caminhão passando na rua, as cachorras latindo, etc... TUDO aconteceu na hora. Juntando o telefone baixo e a minha pequena surdez, pronto. Era o cenário de uma tragédia.

Mas, eu ainda me virei... Só me confundi com uma palavra, eu pedia pra ela falar mais alto: lauder. Porém pronunciava errado, de forma que ficava lowder. E, lower significa mais baixo. Então, eu não a escutava e ainda assim pedia para que ela falasse mais baixo, porque meu telefone estava com defeito. rsrsrs...

Ontem foi a entrevista do pessoal que vai para cassino e para fast food restaurant. Tinha tanta gente nervosa. Sei lá, acho que a entrevista do visto deve ser mais complicada.

Vamos esperar agora. Minha data será entre final de outubro e começo de novembro.

domingo, 2 de setembro de 2007

Raízes


__O número de recepcionistas que trabalhavam comigo variava de acordo com o número de visitantes do hotel. Naquele dia, trabalhávamos eu e um americano. Tínhamos poucos hóspedes circulando pelo lobby e já havíamos recebido quase todos as pessoas que estavam para chegar. O tédio começava a tomar conta de nós. Conversa vai, conversa vem, começamos a falar sobre viagens. Perguntei:
__-Sabe para onde eu gostaria que fosse minha próxima viagem internacional?
__-Onde?
__-Irlanda.
__-Muito boa idéia. A Irlanda é demais! Eu sou irlandês.
__-Irlandês? Eu sempre achei que você fosse americano.
__-É. Eu nasci nos Estados Unidos, mas eu sou Irlandês.
__-Como assim? Se você nasce nos Estados Unidos, você é americano. Seus pais são irlandeses?
__-São.
__-Quando eles vieram para os Estados Unidos?
__-Não... eles nasceram nos Estados Unidos também.
__-Então como é que vocês são irlandeses?
__-É que meus bisavós vieram da Irlanda.
__-Haha! E por isso você é irlandês?
__-Claro!
__-Você fala irlandês?
__-Não.
__-Já visitou a Irlanda?
__-Não, mas pretendo visitar um dia.
__-E o que você faz nos feriados irlandeses?
__-Cara, o San Patrick's Day é mais importante do que Natal para mim. Eu começo a beber logo que acordo.
__-Se você é irlandês só porque seus avós são, então eu sou alemão, porque meu bisavô era alemão e minha avó aprendeu a falar português só depois dos seis anos.
__-Isso, então você é alemão.
__-E eu também sou italiano, porque meu bisavô por parte de mãe era italiano.
__-Isso. Você é italiano também.
__-E também sou português, porque um avô meu é descendente de português.
__-Isso.
__-Claro que não, cara! Eu nasci no Brasil, então eu sou brasileiro!
__-Claro que não! Você é italiano, alemão e português.
__-Isso não faz o menor sentido.
__-Claro que faz. Eu não sou americano só porque nasci aqui. Eu sou irlandês, já que meus ancestrais vieram da Irlanda.
__-E quem são os americanos então?
__-As pessoas que vêm daqui.
__-Só os índios vêm daqui. O resto veio de fora, assim como no Brasil. Como é que você sabe que seus ancestrais da Irlanda não são descendentes de pessoas que vieram de outros países?
__-Pode ser. Mas os moradores da Irlanda estão lá há milhares de anos.
__-Como é que você sabe?
__-Eles ensinam isso na escola. Não ensinam isso no Brasil? Vocês não estudam Revolução Francesa?
__-Claro que sim. Mas seus tataravós poderiam ter nascido em um país qualquer e depois terem se mudado para a Irlanda. Como é que você pode dizer que você é irlandês se você não sabe de onde seus tataravós vêm? Você pode ser africano. Como você sabe que você não é da África?
__-Cara, eu acho que você não sabe do que você está falando. Eu sou irlandês e tenho orgulho de ser irlandês.
__Não vejo muito sentido no orgulho nacional. Se não deveríamos ter orgulho da nossa cor branca, preta, vermelha ou amarela, que nascem conosco, por que deveríamos ter orgulho da nossa nacionalidade, que também nasce conosco?
__Posso perceber alguma coerência naqueles que dizem ter orgulho do país e, por isso, vivem no país, mesmo tendo a chance de abandoná-lo. Já a atitude de quem tem orgulho de um país no qual nunca morou, nunca visitou e cuja língua ele não fala, eu acho particularmente estúpida.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A Corrida pelo Passaporte

Como eu já contei resumidamente minha história, agora vou destrinchando-a aos poucos.
Só uma retificação: O Felipe me chamou a atenção porque eu disse que estou indo de Self Placement. Acontece que não é Self, é apenas Placement, pois a agência arrumou o emprego sem a necessidade de feira. Então, fiz uma confusão com os nomes.

Para tirar o passaporte é necessário a ida à PF (Polícia Federal). Como aqui em Baurú-SP tem uma bagaça (um prédio grande) da PF, dá pra tirar a versão antiga do documento por R$89,00. Como eu sou um vagabundo, eu deixei (insisti para que) a moça da agência preenchesse os formulários na net e a parte que me coube foi pagar o boleto. Claaaaro que eu só paguei o boleto no dia do vencimento do mesmo, porque aqui em casa é assim: -Mas ainda tem tempo pra vencer! Pra que pagar agora?

Depois de umas três semanas enrolando, eu resolvi correr atrás. Entrei na net, imprimi a complementação do formulário, preenchi à mão, juntei os documentos requeridos e colei na PF.
O cara me atendeu bem mal e foi bem grosso ao dizer que meus docs estavam todos rasurados.
Pô! O Certificado de Reservista só estava sem foto! E eu não tinha os comprovantes de votação em mãos. Resultado, volta outro dia. Blz, ainda bem que fui na Junta de alistamento e o véio só colou outra foto. Senão eu teria que esperar a 2º via ficar pronta.

Dia seguinte voltei lá com a foto no documento e tal. Mas, tentei dar um migué quanto aos comprovantes de votação: eu só tinha os do segundo turno. Resultado, um atendimento melhor porque foi outra pessoa, porém teria que voltar outro dia.

Enfim, depois de achar o comprovante no meio de um caderno nada a ver, eu acho até que o comprovante pulou na minha mão, voltei na PF com tudo em dia e certo. Pronto! Agora era só esperar 1 dia pra pegá-lo!

Ainda troquei uma idéia com o atendente, porque meu nome é André Lennon, e ele comentou que é fã e tal. A mesma história de sempre, no meu caso. Mas ainda comentou que uns dias antes tinha ido lá um menino com o nome de Batman. Batman Freitas Alguma Coisa. Jóia, hein!?
Depois disto eu levei o passaporte e o Proof assinado para a agência e já assinei o Job Offer. Agora tem que pagar $750,00 pra efetivar de vez. Vamos negociar, né!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Minha Situação em Agosto

Olá, começando a narrar minha situação a convite do Lipee

Eu sou de Bauru-SP, onde curso engenharia mecânica na UNESP. Meu lobby para o intercâmbio começou bem tarde, no fim de Maio. Eu já tinha até desistido do programa por vários motivos. Porém, depois de fazer uma pesquisa boa sobre o assunto, pude convencer meu pai a pagar pra mim! Claro que eu tive que falar que vou me sustentar lá. Vamos ver...

Estou indo pelo sistema de Self Placement da ISA intercâmbio, daqui de Bauru mesmo, porém não tive que ir em nenhuma feira. Assim que me inscrevi, tive acesso à todas as vagas e me candidatei para uma: Lift Operator no Bousquet Ski Resort em Pittsfield, MA.

Eu sou muito indeciso, e isto me atrapalhou bastante na hora de escolher a vaga. Eu não sabia se ia pra Flórida para trabalhar em MC Donalds ou para Massachusetts em ski resort. O que me fez decidir foi a vontade de conhecer ambientes novos. Convenhamos que para trabalhar em MC donalds em ambiente de 20º ou 25º eu ficaria aqui no Brasil mesmo, e ganharia até mais!

Enfim, com a vaga escolhida, a entrevista foi 2 dias depois, pois eu tive que ligar lá para a estação de ski e conversar com a dona do lugar, a Ivonne. Sim, foi em inglês, mas bem sussa. Até já fui aprovado e estou com o JOB OFFER assinado! Ainda vou escrever mais sobre.

Outra luta foi a do Passaporte. Por mais que seja um procedimento simples, eu consegui complicar absurdamente, de modo que tive que ir mais de 3 vezes na PF para resolver. Estava com o certificado de reservista faltando foto, tinha perdido os comprovantes de votação, etc.. Também voltarei a falar mais sobre.

Agora, estou procurando sobre a declaração do imposto de renda para eu poder começar a papelada do Visto. Meu pai disse que ainda não pagou o imposto este ano e isto pode me complicar na entrevista do visto. Então vou gastar mais um pouco pra ficar com o nome em dia.

Tenho vários amigos de sala que vão fazer WE, para vários lugares distintos! É mto bom esta troca de informações desde já! E, quem sabe a gente não se tromba por lá?

Até!

sábado, 25 de agosto de 2007

Job Fair - Fortaleza, 22 de Agosto.

E aí, galera!
Resolvi dá uma atualizada nisso aqui e aproveitar pra contar como foi que se densenrrolou a Job Fair que eu participei em Fortaleza. Bom, tirando o nervosismo e a demora (que sinceramente como se tratavam de americanos, nunca imaginei que haveria tanto atraso, uma vez que eles primam pela pontualidade, né?) a minha senha ficou para a segunda turma da manhã. E logo que a gente chegou lá no hotel para a Fair, já foi jogada uma péssima notícia. As melhores vagas já haviam sido preenchidas. Desânimo, nervosismo, tristeza (e também por que não dizer raiva, né? :D), e o pior de tudo: ANSIEDADE. O tempo não passava, a gente não podia ainda ver quais as vagas tinham sido preenchidas ou quais ainda estavam disponíveis. E aquele monte de gente que você nunca viu na vida compartilhando solidariamente o nervosismo, discutindo qual o melhor emprego, fazendo até planos pra se encontrar nos EUA no Grace Period. Enfim, hora de fazer check in, e de saber se ainda a minha vaga estaria disponível. Por sorte ou sei lá o quê ainda restava uma vaga. E depois fui com a cara e a coragem, e descobri que era o segundo da minha turma, ou seja, eu que seria escolhido para fazer a entrevista, se eu seria escolhido para a vaga aí seriam mais 500... Duas horas depois, muitas garrafinhas de água, e idas infinitas ao banheiro, chega a minha vez da entrevista, a entrevistadora foi um doce, faz até o mesmo curso que eu na faculdade, e consigo a vaga. Aí é so correr pro abraço! Valeu a pena toda a ansiedade e tentativas frustadas de decorar uma fala pra entrevista. Só uma dica aqui, a entrevista, se vocês já não a fizeram, vai ser num tom bem informal... Portanto, relaxem! Agora é so aguardar o visto galera!

Valeu povo de fortaleza. Deram um show de amizade e de como ser anfitrião. :D

E que killington, em Vermont, que me espere! \o/

sexta-feira, 6 de julho de 2007

sábado, 30 de junho de 2007

Pagando mico








__Pick up significa "atender o telefone". Hang up significa "desligar o telefone". Eu já sabia disso quando eu viajei para os Estados Unidos, mas sempre fiz confusão entre as duas expressões. Foi só depois de pagar um mico do tamanho de um gorila que eu assimilei a diferença.
__Eu estava trabalhando na recepção do hotel Mountain Inn. Eram umas 8 da noite. O telefone do meu balcão tocou. Era uma hóspede ligando de um dos quartos:
__-Recepção. Como posso ajudar?
__-Desculpe. Eu te liguei sem querer. É que eu recebi uma ligação internacional e acabei apertando um botão, aí a ligação foi parar aí em você. Agora já estou falando com a minha amiga. Ela está na linha. __Nisso, uma terceira voz apareceu no telefone. Era a voz da amiga da hóspede:
__-Alô? Alô?
__Tentei falar com essa terceira voz. Eu não entendia direito o que acontecia:
__-Alô, como posso ajudar?
__Então a hóspede voltou a falar no telefone:
__-Como eu te falei, eu estou com a minha amiga do exterior no telefone. Você pode hang up.
__Eu disse no começo do post que hang up significa “desligar o telefone”. Por confusão minha, eu pensei que ela quis dizer “você pode atender o telefone”. Entendi que a hóspede queria que eu atendesse a ligação da sua amiga do exterior que já estava na linha. Assim fiz:
__-Pois não? Como posso ajudar?
__A terceira voz falou:
__-Quem está falando?
__Novamente a hóspede falou:
__-Eu disse hang up (desligue o telefone)!
__Eu continuava entendendo que ela queria que eu atendesse o telefone. A cada vez que ela dizia hang up, eu entendia: "atende!".
__-Estou tentando, senhora!
__-Como assim está tentando? Desliga!
__-Como assim? Como?
__-Apenas desligue!
__A terceira voz continuava falando:
__-Alô? Alô?
__Ela continuava falando “desligue”, mas eu continuava entendendo “atenda”, principalmente porque a terceira voz ficava dizendo “alô”. Falei para a hóspede:
__-Eu estou tentando atender a sua amiga. Mas não dá para falar com as duas ao mesmo tempo.
__A terceira voz continuava dizendo alô. De repente, pensei que o problema era que a terceira pessoa poderia não estar me ouvindo, e que a hóspede estava me dizendo para apertar algum botão.
__-Desligue!
__-Estou tentando!
__Comecei a apertar todos os botões do telefone, um de cada vez.
__-O que você está fazendo?
__-Estou tentando hang up.
__-Mas qual é a dificuldade de se desligar o telefone? É só desligar!
__-Você pensa que é fácil, né?
__Ela começou a rir.
__-Eu não acredito nisso! Ok, preste atenção: simplesmente desligue! __-É isso que eu estou tentando fazer, mas não é fácil.
__-Hahaha! Ai, meu Deus! Desliga isso aí.
__-Senhora, estou fazendo o melhor que eu posso. Estou tentando duro! __-Aiai! Hahaha! Por que isso é tão difícil? É só desligar o telefone!
__-Não é assim... esse aparelho é complicado! Às vezes dá problema! __-Hahaha! Vamos passar o dia aqui. Você não sabe como desligar o telefone.
__-Não, senhora. Eu já vou resolver.
__Enquanto a terceira voz continuava dizendo “alô”, a minha ficha caiu. Ela estava dizendo hang up, e não pick up.
__-Senhora, achei o botão! Vou desligar. Até mais. Sinto muito!
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